Contraturno digital vai complementar a educação pública

Sistema começa a ser implantado no segundo semestre deste ano, com a meta de qualificar cada vez mais o ensino no DF

GIZELLA RODRIGUES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA

A partir do segundo semestre deste ano, o contraturno na rede pública de ensino no Distrito Federal será digital. O GDF, por meio da Secretaria de Educação e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), vai oferecer aos estudantes do ensino médio uma plataforma de Ensino a Distância (EAD) formada por cursos de línguas e conteúdos exclusivos para complementar a aprendizagem em sala de aula.

“Nosso objetivo, desde o início do governo, é qualificar a escola pública”, explica o governador Ibaneis Rocha. “Este é mais um passo nessa direção. Estamos vivendo a era da quarta revolução, desta vez a tecnológica, e as nossas crianças têm que estar preparadas para esse futuro.”

O programa vai começar por alunos do primeiro ano do ensino médio matriculados em nove escolas públicas. Três delas, todas já conectadas à internet, já estão escolhidas – uma na Estrutural e duas em Ceilândia –, e as demais ainda serão definidas por sorteio entre aquelas que já possuem a estrutura para receber internet pronta.

Plataformas acessíveis

Em elaboração desde dezembro de 2019, o projeto, chamado Contraturno Digital, vai contemplar, no segundo semestre deste ano, as nove escolas piloto. A ideia é dar a cada estudante um tablet, por meio do qual será possível acessar, de casa, uma plataforma gamificada, com inteligência artificial e big data, com três tipos de conteúdo. Um deles, o Profissões do Futuro, terá como objetivo engajar os jovens na Quarta Revolução Industrial, como IoT, big data, inteligência artificial, robótica e automação.

Outro, o Passaporte para o Futuro, terá como foco preparar a experiência idiomática dos alunos da rede pública, oferecendo, além ensino de inglês reconhecido por instituições internacionais, oportunidades de intercâmbio.

O terceiro é composto pela parte de formação básica da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com material elaborado pela própria Secretaria de Educação e adaptado para a realidade dos estudantes do Distrito Federal.

“Não vamos parar por aí”, destaca Ibaneis Rocha. “Já estamos desenvolvendo os estudos para transformar as nossas escolas em centros tecnológicos, instalando desde quadros-negros digitais a equipamentos nas carteiras.”

Pacotes de dados

Com o termo de referência já pronto, o governo deverá lançar a licitação em breve para a compra dos tablets, fornecimento de suporte técnico, manutenção dos equipamentos e preparação dos professores. Cerca de 56 mil dispositivos devem ser adquiridos inicialmente. O GDF também vai fornecer pacotes de dados de 4,5 G para conexão dos tablets à internet de alta velocidade. O projeto será custeado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Por segurança, os estudantes não poderão transitar com os tablets, que só deverão ser usados em casa. O GDF pretende fazer um seguro para os dispositivos, mas estuda incluir uma cláusula que garanta cobertura apenas se o equipamento estiver na casa do aluno.

Desempenho acompanhado

Os professores serão treinados para acompanhar em tempo real o desempenho dos alunos, com apoio de inteligência artificial. Será possível saber, por exemplo, quanto tempo eles estão estudando. Quando os tablets estiverem em casa, poderão ser usados no roteamento da internet para toda a família.

De acordo com o secretário de Educação, João Pedro Ferraz, as plataformas também podem oferecer, no futuro, cursos profissionalizantes. “Elas serão implementadas de forma gradual”, anuncia. “Esse projeto é muito importante para a educação do DF. Por meio da educação a distância, vamos poder oferecer um complemento escolar para nossos alunos”.

Quem também destaca o alcance dessa iniciativa é o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilvam Máximo. “Será a grande revolução tecnológica do Brasil e vai acontecer em Brasília”, avalia.

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