Número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar grave sobe 85%

Nível mais baixo foi atingido em 2013

Nos últimos dois anos, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave saltou de 10,3 milhões para 19,1 milhões. Nesse período, quase 9 milhões de brasileiros e brasileiras passaram a ter a experiência da fome no dia a dia. Os dados são do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar. O levantamento ainda revela o aumento do número de brasileiros em uma situação que não têm acesso pleno e permanente à comida. São 19,1 milhões de brasileiros nesta condição.

A fome no Brasil é um problema histórico, mas houve um momento em que o país chegou a efetivamente combatê-la. Entre 2004 e 2013, os resultados da estratégia Fome Zero aliados a políticas públicas de combate à pobreza e à miséria se tornaram visíveis.A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2004, 2009 e 2013, revelou uma significativa redução da insegurança alimentar na população brasileira. Em 2013, a parcela da população em situação de fome havia caído para 4,2% — o nível mais baixo até então.

Isso fez com que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura finalmente excluísse o Brasil do Mapa da Fome que divulgava periodicamente. Agora, esse sucesso brasileiro na garantia do direito humano à alimentação sumiu. Os números atuais são mais do que o dobro dos observados em 2009. O país voltou ao Mapa da Fome.
Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro anunciou mudanças e lançou o Auxílio Brasil, novo benefício proposto para substituir o Bolsa Família.

O Auxílio Brasil vai chegar a aproximadamente 10 milhões de pessoas, que são as que já faziam parte do Bolsa Família e também recebiam o Auxílio Emergencial. Esses brasileiros vão migrar automaticamente para o novo benefício.Outros 24 milhões de brasileiros foram automaticamente excluídos e há 5,3 milhões que estão no cadastro único e, mesmo tendo chance de serem chamados, não foram incluídos. Ainda de acordo com o levantamento, a insegurança alimentar cresceu em todo país, mas as desigualdades regionais, raciais, sociais e de gênero também seguem acentuadas.

*Por Ernandes Almeida

FOTO: Tony Winston/Agência Brasília

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